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Next: A primer on urban painting [Trailer + Documentário completo]


"NEXT: A PRIMER ON URBAN PAINTING is a documentary exploration of graffiti-based visual art as a world culture. The filmmaker profiles the art form in nine countries including USA, Canada, France, Holland, Germany, England, Spain, Japan and Brazil. A combination of verite moments and interviews with painters, "writers", designers, documentarians and other participants within the subculture, the film conveys the dynamism and creative brilliance of this important emerging artistic movement"

Documentário completo ( 1h 35min) logo aqui!




Documentários e filmes sobre Graffiti e Street art.


Desde a adolescência que adoro tudo o que seja relacionado com graffiti portanto, ainda numa época em que o vídeo reinava e o dvd era uma miragem, possuir alguma cassete com documentário, filme, reportagem ou um simples vídeo amador referente a graffiti era uma preciosidade.

Lembro-me em 2000 ou 2001 quando o CDS-PP quis avançar com uma lei "criminosa" no parlamento, a qual provocou muito alarido à volta do fenómeno underground que era o graffiti na altura. Aliás, parece-me ter despoletado um interesse incomum pela vertente e consequente mediatização. E por um lado até foi graças a esta publicidade gratuita que passei a interessar-me verdadeiramente pelo graffiti.

Já riscava cadernos da escola, coloria umas letras com forma esquisita, isto de um modo ingénuo e inocente sem sequer ter um nome para aquilo. E do nada surge uma reportagem especial de 7 a 8 páginas no Jornal de Notícias, que ainda hoje guardo religiosamente, o qual me despertou para realidade do fenómeno.

Voltando ao tema principal, acredito que existam muitos interessados, e tal como eu sejam coleccionadores /devoradores de variadíssimos documentários e filmes acerca do tema. Logo vou aproveitar a oportunidade para listar alguns dos mais interessantes e mediáticos que se encontram espalhados por essa rede.

Desfrutem!

(caso queiram partilhar outros do vosso conhecimento, sintam-se à vontade para partilhar essa informação nos comentários)

Nota: Não listei o documentário de Banksy, nem o Style Wars ou Wildstyle porque parti do princípio que esses já sejam do conhecimento geral.


Bomb it – Um dos mais recentes e premiados documentário sobre graffiti a nível global e a sequela está prestes a chegar.

http://www.youtube.com/watch?v=oi1mo3ngfUs


Bomb the System – Filme acerca das aventuras de dois writers nova-iorquinos contemporâneos.

http://www.youtube.com/watch?v=g1qd5nFWdm4

Against the Wall – Quality of life ( FILME )

http://www.youtube.com/watch?v=59tFIdD3T28

Beautiful Loosers – Belíssimo documentário sobre arte e um grupo de amigos artistas que a tornam possível

http://www.youtube.com/watch?v=JyRAHKTy6hI&feature=player_embedded

RASH – Documentário sobre graffiti e street art na Austrália.

http://www.youtube.com/watch?v=jtlVu-jkx7k


Writers 1983-2003 ans de graffiti à paris – 20 anos de graffiti em Paris

http://www.youtube.com/watch?v=TqKIT3h_QQ8

Just to Get a Rep

http://www.youtube.com/watch?v=tQkmkKjET4U


Infamy
http://www.youtube.com/results?search_query=infamy+graffiti&search=Search

Tats Cru – The Mural Kings – Uma das crews mais respeitadas de NYC
http://www.youtube.com/watch?v=IFVua4Y79ow&mode=related&search


Painting with permission
http://www.youtube.com/watch?v=ktIqA5RTnVY&mode=related&search


Whole train – Filme alemão, o qual ainda não consegui arranjar, até agora, legenda em Inglês sequer.

http://www.youtube.com/watch?v=8JVFpaUsIN0

Day in the Lyfe

http://www.youtube.com/watch?v=io6tfwmQS5I

Alter Ego – A worlwide graffiti documentary

http://www.youtube.com/watch?v=io6tfwmQS5I

Trumac – Documentário sobre uma crew francesa e o seu intercâmbio com writers históricos americanos

http://www.youtube.com/watch?v=lh3dK3hQTOE

Roadsworth – Crossing the Line – Interessantíssimo documentário acerca de um street artist que se vê perante um processo judicial mediático, mas o que fica realmente na mente são as suas magníficas intervenções.

http://www.youtube.com/watch?v=dIifik2THNw

Graffiti Jam Session 2010@ Maia [14.11.2010]


Domingo, 14 de Novembro de 2010, testemunhou mais um grande dia para o graffiti nortenho.

Local do "crime", prédio da Maia, sítio emblemático para o graffiti da zona metropolitana do Porto. Um edifício de 4 andares, com a construção suspensa por motivos desconhecidos e que há mais de uma década vem disfarçando a sua deterioração com as obras de, pelo menos, duas gerações de writers.

Uma jam session que veio sendo organizada durante essa semana, de forma acertar uma data mais ou menos consensual, um tema e uma selecção coerente de cores.

Depois de um sábado tempestuoso, um dos maiores receios para esse dia seria o estado do tempo, apesar das paredes-alvo serem abrigadas da intempérie, já se sabe que o bom tempo traz consigo outra motivação para levantar da cama e marcar presença à hora combinada. Conclusão: S.Pedro curte graffiti porque a manhã de Domingo estava surpreendentemente radiosa.

Às 9:30 da manhã, já se viam as primeiras movimentações na Mecca do graffiti maiato. Sacos animados pelo chocalhar de latas começavam a ouvir-se. Tinta de rolo, rolos e escadas alinhavam-se para a primeira ofensiva que consistiu na cobertura de duas paredes a preto.

Rapidamente se passou dessa fase, perante o número de participantes depressa o preto tomou conta da decoração do R/c daquele edíficio.

A temática, combinada durante a semana, seria Fogo Vs Àgua, onde a magia de cada elemento se iria manifestar em duas paredes distintas, uma em tons de vermelho e outra de azul, respectivamente. Convém referir, que a tanto a "Fire Team" como a "Water Team" já se encontravam previamente definidas, de maneira a que os intervenientes trouxessem cores adequadas.

Lá pelas 11h, as equipas já tinham planeado entre si o plano de ataque e daí para a frente de pouco vale comentar porque as imagens falam por si.

Fotografias por : Sarah Miriam, Pedro Queirós e Bruno Mendes.

Mais fotografias em:

Mr.Dheo.com

Pedro Queirós Facebook

Bruno Mendes Picasa

Style Wars 2.0


Não. Style Wars não irá ter uma sequela nem um dos tão famosos remakes. No entanto, este texto explica-se através de duas razões:


  • Trata-se sim do reaproveitamento ou reciclagem de um texto acerca do mesmo tema, o qual fiz à 4 anos atrás

  • Surge também do facto de no início deste mês se ter realizado uma acção de beneficência para ser possível restaurar/conservar a película original e as muitas horas de filmagem não incluída neste lendário documentário.


Style Wars, foi um nome que sempre esteve presente no pensamento desde o meu primeiro interesse pelo graffiti. Recordo-me bem de ter lido uma entrevista ao lendário SEEN (na extinta e velhinha Subworld ( ver abaixo)) e a referência a este como um dos melhores writers da altura (King of the Kings).E eu, na minha inocência, continuava a questionar-me o que seria o tal Style Wars.







Mais tarde apercebi-me de que se tratava de um documentário acerca de graffiti e "algo mais" e depois de visioná-lo fiquei deliciado com o que vi. Está realmente fantástico pois contrapõem perspectivas dos writers, dirigentes autárquicos, polícia, críticos de arte, jornalistas, simples transeuntes, utentes do metro de NY e até uma mãe de um writer. E daqui surge o conceito ”Style Wars”. Da antítese de opiniões entre os writers e uma Nova Iorque inteira e da competição interna entre eles, num jogo de afirmação pessoal perante os seus pares. Portanto estávamos perante duas guerras de estilos: estética e de vida.

O documentário tem um fio condutor excelente e as explicações estão todas lá, obtidas a partir de um trabalho bastante pormenorizado e rigoroso, resultante da cumplicidade que o realizador Tony Silver e o fotógrafo Henry Chalfant foram fomentando com o evoluir do projecto.

O graffiti surge devidamente enquadrado na cultura HipHop, do qual são apresentadas as 4 vertentes com especial realce para o B-Boying, com filmagens da competição promovida entre RockSteady Crew e Dynamic Rockers. O djiing e mciing são apresentados quase como um só e o graffiti, era sem dúvida alguma, a “ovelha negra da família”, isto é, o mais controverso.

Tudo começa na década de 70, em Nova Iorque, por Taki 183 que inscrevia nas paredes o seu tag, ( nº era correspondente ao nº da sua porta), acabando com este a ser conhecido por toda a cidade. A moda pegou e a partir daí foi um festival de tagging, surgindo outros nomes como Papo 184, Junior161, Cay161, Stitch 1, e duas raparigas Barbara62 e Eya62. A partir daí os anos 70 ficam notabilizados como a década dos pioneiros e de desenvolvimento de estilos.

Uma nota especial, Taki 183,cronologicamente,não foi primeiro mas sim aquele que alcançou maior notoriedade tal como o documentário relata.

Somos confrontados com diferentes perspectivas de vários writers com destaque para Skeme, Seen, Dondi, Case2, Dez (actual Dj Kay Slay) e o odiado CAP.

É captada a preocupação de uma mãe e a sua oposição às actividades do filho (Skeme), mas não é por isto que este deixa de o fazer, sendo sincero com a sua mãe, não omitindo o seu estatuto de writer e as suas opiniões bem traçadas.

SEEN e Dondi já tinham uma reputação consolidada nas ruas, graças aos seus trabalhos não só nos comboios como em paredes da cidade. Aliás no documentário aparece-nos SEEN com colaboração de DUST na elaboração de um grande mural sob a observação de muitos mirones.

Case2 era um caso sério de talento apesar de só possuir um braço. Não o impedia de ter uma vocação notável para o graffiti, sendo altamente respeitado no meio pelo seus wildstyle fantásticos, por vezes praticamente ilegíveis, mas de uma qualidade tremenda.

DEZ, na época com uns tenros 16 anos, fazia-se acompanhar por TRAP de 14, ambos se distinguiam pela sua juventude, mas em toda a filmagem é recorrente encontrarem-se menores de idade com um conhecimento profundo das rotinas do graffiti nova-iorquino.

E finalmente, CAP. O mais controverso, o mais odiado, o mais solitário. O writer"mais" e já vão perceber porquê.
De entre todos aqueles que partilhavam aquela realidade, ele era simplesmente o mais detestado porque tinha uma personalidade muito forte e peculiar, consequente de uma postura perante o graffiti muito diferente e que chocava imenso com a restante classe de writers.

Por suas palavras, ele diz-nos que as suas preocupações estéticas e qualitativas no que fazia eram secundárias, o que interessava era a quantidade, o seu lema era “Mais e mais”, ou seja, não interessa a maneira como o faz mas sim o número de vezes que o faz. Foi aqui que começou a ser detestado pois a sua filosofia levava-o a crossar tudo e todos. Por vezes certos writers tinham acabado de pintar as suas peças e mesmo antes de os comboios saírem para circulação já as pinturas estavam crossadas. Provavelmente, a maior frustração de um writer devido ao desperdício de recursos e ainda por cima sem qualquer testemunho fotográfico.

CAP não demonstrava quaisquer remorsos e ele próprio não se designava como “Graffiti artist” mas sim “Graffiti Bomber” ou então por “King of Bombing”.

O documentário descortina também o preconceito de todo o writer ser negro ou hispânico porque também existiam muitos brancos a fazê-lo. Retrata igualmente as primeiras galerias de arte a acolherem e exporem graffiti e também a oposição do Mayor Koch e das autoridades (MTA) à actividade ilícita com todas as suas estratégias dissuasoras desde campanhas publicitárias, vedações duplas com arame farpado, cães entre as vedações e ainda limpeza regular das carruagens. Tudo isto contribuiu para o decréscimo da actividade e os comboios passaram a ser preteridos por outros suportes mais viáveis e menos problemáticos.

Estas medidas serviram eficazmente para diminuir a actividade em comboios mas isso jamais iria acabar com o graffiti, tal como comentaram os intervenientes no documentário, porque este já fazia parte da cidade e até se tinha tornado numa imagem de marca. Daí em diante foi-se reformulando e expandindo até se tornar naquilo que hoje é, apesar de todas as iniciativas para abafá-lo.

Hoje em dia podem encontrar facilmente o documentário pela rede. No Youtube dividido em partes e ainda com extras, incluindo entrevista com o realizador (já falecido) e alguns dos intervenientes passados mais de 20 anos.
Pedacinhos de história…

Entrevista a Tony silver
Skeme (…20 anos depois)
Style Wars Out Takes
Style Wars Outtakes (DONDI)

B-Boy Ken Swift ( …20 anos depois)

B-Boy Crazy Legs (…20 anos depois)

Style Wars ( Full Video )



Para terminar deixo uns versos que vi numa parede do Porto há uns anos.

"Graffiti é arte
Arte é cultura
Tentam abafá-la
Mas ela perdura!!!"


Nota final: Documentário imprescindível de ser visto...