Mostrar mensagens com a etiqueta Filmes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Filmes. Mostrar todas as mensagens

Documentários e filmes sobre Graffiti e Street art.


Desde a adolescência que adoro tudo o que seja relacionado com graffiti portanto, ainda numa época em que o vídeo reinava e o dvd era uma miragem, possuir alguma cassete com documentário, filme, reportagem ou um simples vídeo amador referente a graffiti era uma preciosidade.

Lembro-me em 2000 ou 2001 quando o CDS-PP quis avançar com uma lei "criminosa" no parlamento, a qual provocou muito alarido à volta do fenómeno underground que era o graffiti na altura. Aliás, parece-me ter despoletado um interesse incomum pela vertente e consequente mediatização. E por um lado até foi graças a esta publicidade gratuita que passei a interessar-me verdadeiramente pelo graffiti.

Já riscava cadernos da escola, coloria umas letras com forma esquisita, isto de um modo ingénuo e inocente sem sequer ter um nome para aquilo. E do nada surge uma reportagem especial de 7 a 8 páginas no Jornal de Notícias, que ainda hoje guardo religiosamente, o qual me despertou para realidade do fenómeno.

Voltando ao tema principal, acredito que existam muitos interessados, e tal como eu sejam coleccionadores /devoradores de variadíssimos documentários e filmes acerca do tema. Logo vou aproveitar a oportunidade para listar alguns dos mais interessantes e mediáticos que se encontram espalhados por essa rede.

Desfrutem!

(caso queiram partilhar outros do vosso conhecimento, sintam-se à vontade para partilhar essa informação nos comentários)

Nota: Não listei o documentário de Banksy, nem o Style Wars ou Wildstyle porque parti do princípio que esses já sejam do conhecimento geral.


Bomb it – Um dos mais recentes e premiados documentário sobre graffiti a nível global e a sequela está prestes a chegar.

http://www.youtube.com/watch?v=oi1mo3ngfUs


Bomb the System – Filme acerca das aventuras de dois writers nova-iorquinos contemporâneos.

http://www.youtube.com/watch?v=g1qd5nFWdm4

Against the Wall – Quality of life ( FILME )

http://www.youtube.com/watch?v=59tFIdD3T28

Beautiful Loosers – Belíssimo documentário sobre arte e um grupo de amigos artistas que a tornam possível

http://www.youtube.com/watch?v=JyRAHKTy6hI&feature=player_embedded

RASH – Documentário sobre graffiti e street art na Austrália.

http://www.youtube.com/watch?v=jtlVu-jkx7k


Writers 1983-2003 ans de graffiti à paris – 20 anos de graffiti em Paris

http://www.youtube.com/watch?v=TqKIT3h_QQ8

Just to Get a Rep

http://www.youtube.com/watch?v=tQkmkKjET4U


Infamy
http://www.youtube.com/results?search_query=infamy+graffiti&search=Search

Tats Cru – The Mural Kings – Uma das crews mais respeitadas de NYC
http://www.youtube.com/watch?v=IFVua4Y79ow&mode=related&search


Painting with permission
http://www.youtube.com/watch?v=ktIqA5RTnVY&mode=related&search


Whole train – Filme alemão, o qual ainda não consegui arranjar, até agora, legenda em Inglês sequer.

http://www.youtube.com/watch?v=8JVFpaUsIN0

Day in the Lyfe

http://www.youtube.com/watch?v=io6tfwmQS5I

Alter Ego – A worlwide graffiti documentary

http://www.youtube.com/watch?v=io6tfwmQS5I

Trumac – Documentário sobre uma crew francesa e o seu intercâmbio com writers históricos americanos

http://www.youtube.com/watch?v=lh3dK3hQTOE

Roadsworth – Crossing the Line – Interessantíssimo documentário acerca de um street artist que se vê perante um processo judicial mediático, mas o que fica realmente na mente são as suas magníficas intervenções.

http://www.youtube.com/watch?v=dIifik2THNw

B-Girl - Review do filme (COM SPOILERS)


B-Girl é um filme cujo título é bastante auto-evidente. Podem encontrar todas as informações do mesmo aqui: http://www.bgirlmovie.com/

Este é um filme com muitas coisas para dizer. E isso é bom - quer dizer que os aspectos positivos são suficientes para que o filme valha de facto a pena ver.

Para quem não viu o filme atenção - esta review tem spoilers.

A história do filme, genericamente, pode-se resumir da seguinte forma: Angel, uma B-Girl, é atacada pelo ex-namorado psicótico, que a esfaqueia nas costas, e tem de fugir de Brooklyn para LA, onde recomeça toda a sua vida de B-Girl enquanto ultrapassa o trauma e a limitação física. Inclusivamente após o ataque covarde, o próprio medico afirmou que, caso Angel não tivesse a preparação atlética de b-girl, as consequências do ataque teriam sido mais severas.

Este filme consegue estar no limiar do aceitável, na medida em que os pontos positivos são suficientes para compensar os aspectos mais negativos. Mas ainda assim, vale a pena fazer uma análise detalhada, para que eventuais projectos futuros possam colmatar as falhas que se verificaram neste trabalho e possam inspirar-se naquilo que correu bem.

Começando pelos aspectos positivos:

1. Tempo de antena para o breakdance - Sem grande ângulos de câmara que poderiam dar mais sensação de movimento, mas que também nos tiravam a sensação de estarmos a assistir a uma battle ao vivo. O momento alto do filme, em que as crews que chegam à final se confrontam, nesse aspecto está soberba.

2. A B-Girl - não se limita a fazer poppin and lockin. Ela breaka a sério! Não se veste de cor de rosa, não treina de maiot e colans, não usa perneiras, não ouve RnB. That’a’girl.

3. O segundo personagem principal também não está mal de todo. Não é um dread dos subúrbios que anda na droga por peer pressure e que lá no fundo até é boa pessoa. Não, é um professor numa escola, mas que não é por isso que deixa de ser real e de manter o gosto pelo breakdance.

4. Na abertura da battle, a B-girl faz uma espécie de acapella sobre ser B-girl que deve ter sido escrito por alguém com muito jeito para poemas - é das melhores partes do filme em termos de guião.

5. A banda sonora - Está bastante fixe, sem autotunes nem nada disso.

Agora os aspectos negativos que, valha-nos deus, são mesmo maus.

Toda a história parece uma desculpa mal engendrada para pôr uns gajos a breakar com uma gaja, que pode não se vestir de cor de rosa e com calças justas, mas tem um street name bué de meter respeito (“Angel”) e bué diferente do seu nome verdadeiro (“Angela”).

Aquilo a que chamamos em inglês “plot devices” (como chamamos em português?) são mesmo, mesmo, mesmo maus, óbvios, forçados e previsíveis. Coisas como:

- Angel está numa festa com a sua melhor amiga que é latina e o seu ex-namorado vem dizer “ah e tal vamos voltar” ao que ela responde “não! está acabado!”. Angela e a amiga vão para a casa de banho e trocam de chapéu e de casaco porque Angela tem medo do namorado (embora não se perceba porquê). Saem juntas do clube, pela porta das traseiras. Angela é loira, caucasiana e veste-se de roupa larga, a amiga tem cabelo preto, é latina e veste-se de salto alto e roupa justa. O ex-namorado, que estava à espera delas cá fora, deve ser completamente cego porque apesar da diferença evidente na maneira como se vestem, precisou de agarrar e esfaquear a amiga de Angela na barriga, mesmo com ela a gritar e tudo (nem pela voz lá foi!) antes de perceber que não era Angela. Ao aperceber-se do erro, que faz ele? Não, não mata Angela, a pessoa que ele queria de facto matar. Dá-lhe um cortezinho no ombro, fica muito perturbado, e vai-se embora.

- Angela muda de cidade porque tem medo que o ex-namorado a volte a atacar, apesar de bastar trocar de chapéu e casaco de vez em quando para o ex deixe de a reconhecer.

- Na nova cidade, Angela descobre rapidamente uma nova crew. No primeiro encontro, uma das gajas que para lá estava (afro-americana), que nem sequer é b-girl, levanta-se e dá-lhe um granda empurrão, completamente do nada. Cria-se uma rivalidade estúpida, que é resolvida rapidamente e de modo igualmente estúpido. Do nada, a gaja passa a adorar a Angel e convence os outros gajos a deixa-la entrar na crew.

- No meio do filme, de repente Angela está traumatizada e culpabiliza-se pela morte da amiga. Mas só durante o minuto e meio em que tem um pesadelo, que depois vai dar jeito para conhecer o professor, que é o gajo que anda a treinar a crew a que ela se junta. De resto, Angela anda fresca que nem uma alface.

- Igualmente do nada, a mãe de Angela começa a beber e é alcoólica. Mas também é alcoólica por cerca de 30 minutos, pois assim que vai chatear o professor-bboy por andar a levar a filha pelos maus caminhos do breakdance que a levaram a ser esfaqueada, passa-lhe logo tudo e fica outra vez uma pessoa normal.

- O evento final é apresentado pelo host como “um evento com crews dos vários cantos do mundo”, quando na realidade só se vê uma battle de todo o torneio, ou seria já a final? Pois é, no filme isso não fica claro. A battle é bem interessante por sinal mas o torneio poderia ser explorado de uma forma mais coerente.

De facto, é uma pena que o filme tenha sentido a necessidade de se socorrer de tanto cliché a nível de história e plot devices para conseguir mostrar qualquer coisa de breakdance. No entanto, não deixa de ser um filme com um bom clímax - a B-boy battle.

Por: A. Silva e Joana Nicolau