RIP Eyedea
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Posted by Nicolau
A crew BRS manda respeito para o eterno ícone indie Eyedea.
Foi sem dúvida um dos artistas que mais influenciou a cena indie. RIP Eyedea.
Reportagem: Body Rock Crew, Mau Feitio, Mundo, Termanology e AZ no Hard Club (08/10/2010)
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Posted by Sempei

O Hard Club, no Porto, engalanou-se arquitectónica e humanamente para acolher Body Rock Crew (Maze, D-One e Deck97), Mau Feitio, Mundo Segundo, Termanology e AZ. O interesse estava no auge para se perceber se o público respondia ao convite de agraciar os artistas nacionais e os americanos com uma recepção que se queria bem quente. Se o NGA é mais quente que o fogo, o Hard Club esteve ainda mais quente que o NGA então. Verdadeiro vulcão de emoções que se viveu naquele espaço, com o público a corresponder em número ao nível vibrante do cartaz em questão: 8.9 na escala de Richter.



Durante a actuação notou-se perfeitamente o prazer de Termanology devido ao carinho que lhe foi sendo dispensado. Ele que há tempos, em Vigo, actuou perante uma sala (quase) vazia, no Hard Club deve ter ficado bem impressionado com a atmosfera intensa e vibrante com a qual foi confrontado. Para êxtase dos portugueses, "Watch How It Go Down" foi naturalmente a malha que fez explodir a sala antes da despedida do emcee do palco. Muito boa actuação de Termanology. We love you too, m*therfucker!

Em resumo, a noite do Hard Club foi muito boa. Registaram-se belas actuações e um grande apoio do público do Hip Hop, que compareceu em peso na casa. Foi importante que os artistas americanos tivessem sentido que o Hip Hop está forte aqui e que é feito com entusiasmo e com a presença em massa de pessoas nos concertos. Tudo isto é vital para que se mantenha a esperança de que seja possível trazer mais rappers americanos a Portugal e que eles estejam interessados em passar por cá. AZ e Termanology terão saído satisfeitos com o afecto do público mas talvez se tenham admirado por Mundo ter sido mais aplaudido do que eles. Mundo foi aquele que fez a multidão agitar-se mais. Espectacular noite! Que se repitam muitas mais assim no Hard Club.
Reportagem: Urban Beat Battle, Gare Clube, Porto (07/10/2010)
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Posted by Sempei

Os dezasseis concorrentes na batalha de beats tinham de convencer o público de que eram os melhores para passarem as eliminatórias, já que era esse mesmo público que com o seu grito decidia quem seguia para a ronda seguinte. O método de votação era simples, embora todos possamos questionar a sua fiabilidade em eleger realmente os melhores. No entanto, eram as regras e todos sabiam para o que iam.







B-Girl - Review do filme (COM SPOILERS)
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Posted by Nicolau
B-Girl é um filme cujo título é bastante auto-evidente. Podem encontrar todas as informações do mesmo aqui: http://www.bgirlmovie.com/
Este é um filme com muitas coisas para dizer. E isso é bom - quer dizer que os aspectos positivos são suficientes para que o filme valha de facto a pena ver.
Para quem não viu o filme atenção - esta review tem spoilers.
A história do filme, genericamente, pode-se resumir da seguinte forma: Angel, uma B-Girl, é atacada pelo ex-namorado psicótico, que a esfaqueia nas costas, e tem de fugir de Brooklyn para LA, onde recomeça toda a sua vida de B-Girl enquanto ultrapassa o trauma e a limitação física. Inclusivamente após o ataque covarde, o próprio medico afirmou que, caso Angel não tivesse a preparação atlética de b-girl, as consequências do ataque teriam sido mais severas.
Este filme consegue estar no limiar do aceitável, na medida em que os pontos positivos são suficientes para compensar os aspectos mais negativos. Mas ainda assim, vale a pena fazer uma análise detalhada, para que eventuais projectos futuros possam colmatar as falhas que se verificaram neste trabalho e possam inspirar-se naquilo que correu bem.
Começando pelos aspectos positivos:
1. Tempo de antena para o breakdance - Sem grande ângulos de câmara que poderiam dar mais sensação de movimento, mas que também nos tiravam a sensação de estarmos a assistir a uma battle ao vivo. O momento alto do filme, em que as crews que chegam à final se confrontam, nesse aspecto está soberba.
2. A B-Girl - não se limita a fazer poppin and lockin. Ela breaka a sério! Não se veste de cor de rosa, não treina de maiot e colans, não usa perneiras, não ouve RnB. That’a’girl.
3. O segundo personagem principal também não está mal de todo. Não é um dread dos subúrbios que anda na droga por peer pressure e que lá no fundo até é boa pessoa. Não, é um professor numa escola, mas que não é por isso que deixa de ser real e de manter o gosto pelo breakdance.
4. Na abertura da battle, a B-girl faz uma espécie de acapella sobre ser B-girl que deve ter sido escrito por alguém com muito jeito para poemas - é das melhores partes do filme em termos de guião.
5. A banda sonora - Está bastante fixe, sem autotunes nem nada disso.
Agora os aspectos negativos que, valha-nos deus, são mesmo maus.
Toda a história parece uma desculpa mal engendrada para pôr uns gajos a breakar com uma gaja, que pode não se vestir de cor de rosa e com calças justas, mas tem um street name bué de meter respeito (“Angel”) e bué diferente do seu nome verdadeiro (“Angela”).
Aquilo a que chamamos em inglês “plot devices” (como chamamos em português?) são mesmo, mesmo, mesmo maus, óbvios, forçados e previsíveis. Coisas como:
- Angel está numa festa com a sua melhor amiga que é latina e o seu ex-namorado vem dizer “ah e tal vamos voltar” ao que ela responde “não! está acabado!”. Angela e a amiga vão para a casa de banho e trocam de chapéu e de casaco porque Angela tem medo do namorado (embora não se perceba porquê). Saem juntas do clube, pela porta das traseiras. Angela é loira, caucasiana e veste-se de roupa larga, a amiga tem cabelo preto, é latina e veste-se de salto alto e roupa justa. O ex-namorado, que estava à espera delas cá fora, deve ser completamente cego porque apesar da diferença evidente na maneira como se vestem, precisou de agarrar e esfaquear a amiga de Angela na barriga, mesmo com ela a gritar e tudo (nem pela voz lá foi!) antes de perceber que não era Angela. Ao aperceber-se do erro, que faz ele? Não, não mata Angela, a pessoa que ele queria de facto matar. Dá-lhe um cortezinho no ombro, fica muito perturbado, e vai-se embora.
- Angela muda de cidade porque tem medo que o ex-namorado a volte a atacar, apesar de bastar trocar de chapéu e casaco de vez em quando para o ex deixe de a reconhecer.
- Na nova cidade, Angela descobre rapidamente uma nova crew. No primeiro encontro, uma das gajas que para lá estava (afro-americana), que nem sequer é b-girl, levanta-se e dá-lhe um granda empurrão, completamente do nada. Cria-se uma rivalidade estúpida, que é resolvida rapidamente e de modo igualmente estúpido. Do nada, a gaja passa a adorar a Angel e convence os outros gajos a deixa-la entrar na crew.
- No meio do filme, de repente Angela está traumatizada e culpabiliza-se pela morte da amiga. Mas só durante o minuto e meio em que tem um pesadelo, que depois vai dar jeito para conhecer o professor, que é o gajo que anda a treinar a crew a que ela se junta. De resto, Angela anda fresca que nem uma alface.
- Igualmente do nada, a mãe de Angela começa a beber e é alcoólica. Mas também é alcoólica por cerca de 30 minutos, pois assim que vai chatear o professor-bboy por andar a levar a filha pelos maus caminhos do breakdance que a levaram a ser esfaqueada, passa-lhe logo tudo e fica outra vez uma pessoa normal.
- O evento final é apresentado pelo host como “um evento com crews dos vários cantos do mundo”, quando na realidade só se vê uma battle de todo o torneio, ou seria já a final? Pois é, no filme isso não fica claro. A battle é bem interessante por sinal mas o torneio poderia ser explorado de uma forma mais coerente.
De facto, é uma pena que o filme tenha sentido a necessidade de se socorrer de tanto cliché a nível de história e plot devices para conseguir mostrar qualquer coisa de breakdance. No entanto, não deixa de ser um filme com um bom clímax - a B-boy battle.
Por: A. Silva e Joana Nicolau
Reportagem: Roulote Rockers no Hard Club (1/10/2010)
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Posted by Druco
No Dia Mundial da Música, os Roulote Rockers actuaram no Hard Club, situado na Invicta. Coube-lhes a sorte de serem a primeira banda de rap nacional a subir ao palco após o renascimento do célebre espaço, agora do lado de cá do rio Douro. Não querendo faltar à chamada e assumindo também o privilégio de estarmos presentes na primeira noite de Hip Hop do renovado Hard Club, eu e o Sempei metemos os pés ao caminho.
Duas expectativas se geravam na nossa mente: ver pela primeira vez ao vivo Roulote Rockers, coadjuvados pela Banda Stuard, e contemplar o Hard Club, que foi como uma nova alma a entranhar-se num antigo corpo como é o Mercado Ferreira Borges. Quanto a Roulote, ficámos satisfeitíssimos. Relativamente ao Hard Club, idem aspas aspas.

Foi sob o cheiro ainda a tinta fresca que entrámos para a sala 2 onde pontualmente os músicos se posicionavam em palco para começarem a girar o funk, o hip hop, a soul, enfim, o que eles quisessem. Inicialmente o público era escasso mas assim que as primeiras notas musicais se foram soltando, mais pessoas entraram, certamente seduzidas pelas rimas de Logos, pelos “beats mais sujos” de Raez e pelo scratch de DJ Spark. Sem esquecer o decisivo complemento da Banda Stuard como é óbvio.
A música de Roulote Rockers sem dúvida que ganha uma maior intensidade ao vivo devido ao acompanhamento da banda. É toda uma pujança instrumental que lhe é conferida. Revisitando o seu EP de estreia, “Projecto de Sábado à Tarde”, só o single «Vício Chave» é que manteve o espírito do MC(‘s)/DJ, dispensando a colaboração da banda. Em qualquer dos casos, transpareceu sempre aquilo que importa: qualidade musical, dedicação plena dos intérpretes e divertimento.

Em resumo, foi um tempo bem passado, ao escutar boa música, em conhecer um espaço que todos esperamos que se torne marcante e onde os presentes pagaram somente 1 euro para desfrutarem do concerto. Que surjam, a breve trecho, novidades de Roulote Rockers, pois têm potencial e capacidade para continuarem a fazer óptima música e para darem um espectáculo de duração mais longa.